quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Jornalismo em Foco

Nesta quarta-feira de Semana Acadêmica, às 9h realizou-se mais uma palestra da programação. Dentro da área de Jornalismo, palestraram Jefferson Botega ,fotógrafo do jornal Zero Hora e Laura Elise de Oliveira, docente da Unifra. O tema: Fotojornalismo, da antigüidade à contemporaneidade.


Laura iniciou esboçando brevemente – porém de forma eficaz e completa – a história da fotografia, a qual, segundo ela, leva no embalo a evolução da fotografia jornalística. Dentro desse esboço destaca-se a colocação da passagem do daguerriótipo, uma espécie de caixa enorme e pouco prática, para a máquina digital, compacta e instantânea. A palestrante, que já atuou no mercado fotojornalístico, enriqueceu sua contribuição expondo fotos de pioneiros fotojornalistas, como Henri Cartier Bresson, Robert Kapa e o brasileiro Sebastião Salgado. Laura ainda complementa que no fotojornalismo atual o estilo e a prática somados a um novo olhar – mais subjetivo e que transmita a mensagem correta – são mais importantes do que o mito do “flagrante” e do “furo” na fotografia. Isso se deve ao avanço da tecnologia que possibilitou a captação de imagens por grande parte da população, seja através de aparelhos celulares ou câmeras digitais.

Jefferson, que atua como repórter fotográfico, enriqueceu a palestra com depoimentos e observações a respeito do exercício prático do fotógrafo dentro da redação. Trouxe uma amostra da palestra do escritor Alvin Toffler, defensor de uma polêmica teoria acerca das mudanças no mercado comunicacional. Toffler acredita que dentro de poucos anos (ate 2012, mais especificamente) a maior parte da população acessará os meios de comunicação através das tecnologias em constante desenvolvimento, como é o caso dos celulares, IPhones, e a revolucionária Internet. A teoria de Alvin também indica o desaparecimento dos jornais impressos já confirmada, por exemplo, pelos casos de falência e crise em grandes jornais, antes impérios do nosso setor. Jefferson, apoiando a teoria, aconselha a constante atualização e a necessidade de flexibilidade por parte dos profissionais (e futuros profissionais) da área, a fim de que não se estagnem e não percam lugar nesse novo mercado. “Essa nova revolução equipara-se à Revolução Industrial em termos de impacto e alterações no mercado”, diz o palestrante.
Através da interatividade, uma nova relação entre emissor e receptor estabeleceu-se. As novas tecnologias possibilitam que os indivíduos desenvolvam diversas formas de informar-se e manifestar-se – seja dando sua opinião sobre o que ouviu, leu ou viu, ou mesmo sugerindo pautas e temas para discussão. Mesmo que esse “feedback” seja ainda pequeno, essa alteração causa pequenas quebras na unilateralidade no processo de comunicação.
A fotografia pode ser comparada com a poesia, como foi exposto por um membro da platéia, uma vez que ambas as formas carregam subjetividade e, por isso, precisam de uma interpretação. Os comentários dos estudantes limitaram-se mais a este caráter sensível da fotografia e não exatamente aos dilemas éticos e profissionais que o exercício dela acarreta. A própria palavra fotografia deriva das palavras gregas fós, que significa luz, e grafis, que significa estilo, ou no sentido amplo “desenhar com luz”. Falou-se muito também da necessidade de fuga da fotografia senso-comum, o que exige do fotógrafo criatividade, perspicácia e um olhar sensível para fatos e notícias. Apesar da tentativa dos fotógrafos por aprimorar essa busca, há um bloqueio por parte do tradicionalismo editorial, o qual vê a fotografia apenas como um retrato, preferindo, portanto, imagens “clássicas” e “padronizadas”.
Através do que foi exposto podemos concluir primeiramente que é necessário uma nova postura frente às alternativas do mercado. Utilizar uma “lente” multidirecional pra captar as transições pelas quais o mundo e a comunicação de mundo passa é fundamental. Sem maiores histerias, preocupações e crises profissionais: o négocio mesmo é encontrar espaço nessa nova mídia através de um constante aprimoramento profissional e uma sábia utilização dos inúmeros recursos tecnológicos a que temos acesso.



Acadêmicas: Liana de Vargas Nunes Coll e Nathália Dray Costa

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