Palestrantes: Raquel Casiraghi, assessora de imprensa do MST/RS
Rodrigo Reis Navarro, voluntário da ONG Fundação Educacional Profeta Elias PR
Rosane Rosa, docente da UFSM
Rachel Casiraghi fala sobre a assessoria de imprensa que atua dentro do Movimento dos Sem Terra, os projetos que os comunicadores carregam nos assentamentos assim como as dificuldades que enfrentam.
O MST, movimento dos sem terra, lutam pela Reforma Agrária, um projeto popular para o Brasil baseado na justiça social e na dignidade humana.
A comunicação no movimento começou antes da existência de assentamentos servindo para a auto organização e divulgação na sociedade.
O MST tem a necessidade de uma comunicação institucional, e por isso desenvolve vários meios de comunicação como jornais, revistas, rádio comunitária (não abrange somente o assentamento mas também a comunidade em sua volta), e um dos meios mais usados o chamado “Rádio Poste” que é um meio de comunicação interna, informativo.
O movimento durante sua trajetória teve poucos comunicadores sociais graduados, sendo os próprios assentados que faziam a comunicação. Hoje quem cuida dessa parte são pessoas formadas para isso, quem cuida das redações dos jornais e revistas são jornalistas pagos para isso. Com o tempo foram realizados projetos como oficinas de rádio para a capacitação de assentados que hoje trabalham nas rádios locais.
Existem diferenças do MST para com a mídia convencional que só mostra em seus meios de comunicação as invasões de terras e suas ações mais radicais, deixando de lado, segundo os assentados, todo um contexto social e organizacional que poderia também ser mostrados do movimento.
O movimento carrega não só o ideal de luta mas também uma diferente forma de organização social, existindo escolas itinerantes onde há professores de fora e de base, onde tem a educação para jovens e o EJA também, para os adultos. Nessas escolas o currículo é diferenciado, não são dadas apenas as diciplinas convencionais, mas também outras que ensinam as crianças a lidar no campo com novas técnicas, já na disciplina de história eles aprendem também a história do movimento. Agora o movimento passou a utilizar um novo meio de comunicação, que são os vídeos, feitos por pessoas do próprio assentamento com o objetivo de possibilitar o MST a colocar a sua versão da história na mídia.
O jornal tem sua repercussão mais “boca a boca” ou agregados a outros jornais, mas são poucos os jornais que aceitam circular o jornal do movimento e mesmo assim a repercussão não é muito grande, ela alegou que o jornal é deixado de lado na banca.
O movimento também desenvolveu uma página na internet, mas com esta nem sempre se consegue divulgar as informações para o público que realmente se deseja (os assentados), já que se tem uma visão restrita.
Rodrigo Reis Navarro fala da Fundação Educacional Meninos e Meninas de Rua Profeta Elias - Meninos de 4 Pinheiros, que é uma ONG, sem fins lucrativos, com a finalidade de dar assistência e educação integral às crianças e adolescentes que vivem nas ruas. Lá estão instalados oitenta meninos que viviam nas ruas do Paraná e até do Rio Grande do Sul, na faixa etária de sete a dezoito anos. Depois que ultrapassam a idade limite são enviados para uma república onde estão instalados sete garotos e destes cinco já fazem faculdade, nesta republica não há data limite para saída.
O trabalho começou na década de 80, em uma favela que hoje é um bairro de Curitiba. A chácara possui cinco casas, laboratório de informática e atendimento médico e odontológico que é ampliado também para os municípios vizinhos. Lá são realizadas inúmeras atividades como educação pelo trabalho, atividades pedagógicas, esportes, acompanhamento psicológico e familiar, agricultura, criação de animais, lazer e cultura. E pode se dizer que o marco do sucesso da organização foi a mobilização de jornalistas para a divulgação do trabalho.
Outro sucesso foi a elaboração de uma marca para a chácara, Menino de quatro Pinheiros, fez parte de um projeto, utilizado na conclusão de curso, desenvolvido por alunos da PUC de Porto Alegre que visava promover a chácara. Foi com essa marca que eles conseguiram parceiros internacionais que os ajudam.
O papel da comunicação na rede de proteção da infância e adolescência é articular de forma organizada as ações dos demais integrantes, divulgar resultados positivos, apresentar demandas, denunciar abusos.
Podemos dizer que o comunicador são os olhos da sociedade logo eles se tornam importantíssimos em trabalhos como movimentos sociais e ONGs. Para que mostrem resultados os projetos devem ser motivados e a divulgação é um meio de mostrar e tentar motivar a sociedade para estas causas sociais.
Aos comunicadores fica o dever de sempre procurar saber mais sobre a instituição que se esta divulgando para que não haja desavenças entre os públicos e a consciência da importância de se engajar em projetos e movimentos de inclusão social.
Gabriela Viero, Samira Valduga e Vanessa Guterres
terça-feira, 21 de outubro de 2008
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