‘‘Não é liberdade, não é aventura. É difícil, é complexo’’
(Luiz Antonio Araújo)
Hoje, 14 de outubro de 2008, terça-feira, acompanhamos a palestra, cujo tema foi ‘‘Jornalismo em áreas de conflito’’, na qual os ex-alunos da UFSM e atuais editores políticos Iara Lemos e Luiz Antonio Araújo, dos jornais Diário de Santa Maria e Zero Hora, respectivamente, discorreram sobre suas experiências profissionais acerca do assunto, mediados por Rondon de Castro, veterano de guerra e docente da UFSM.
Abaixo, diálogos fictícios (e um tanto bizarros), para recontarmos o que nos contaram.
Luiz - Olá, sou Luiz Araújo!
Nós - Oi Luuuiz! Fale-nos sobre sua vida.
Luiz - Fui o terceiro presidente do DACOM em 1985. Mas o que eu quero contar para vocês é uma das experiências mais marcantes na minha vida até hoje. Estive no Paquistão em 2001, cobrindo a iminente guerra entre Estados Unidos e Afeganistão. Cheguei no dia 8 de outubro pela manhã e à noite iniciaram-se os ataques. Fiquei o tempo todo no Paquistão pois as fronteiras afegãs estavam bloqueadas. Tive a oportunidade de entrar com contrabandistas no país em conflito por 2500 dólares. Porém, as orientações de prezar pela minha vida para que a matéria fosse feita me levaram a não aceitar a proposta. Embora limitado pelas barreiras militares presenciei muitas coisas que, de outra forma, nunca teria visto, como as vítimas de mísseis.
Iara – Oiii! Senta, que lá vem a história!
Nós – Óóóóóó! Sobre o quê?
Iara – Sobre a minha estadia de 12 dias no Haiti, um país em conflito que o Exército Brasileiro está ocupando. Como não fui a primeira a ir tive que buscar uma pauta alternativa. [Alguém da platéia grita: Toca Raul!]. Então resolvi abordar o trabalho que as religiosas gaúchas realizam no país. Enfrentei várias dificuldades, desde ir até a cidade Jérémie (falta de estradas) até ter água e comida. Embora a língua oficial seja o francês, a população fala o Crioulo, que é a prova da rebeldia pelos anos que foram submetidos à França como colônia. Como a minha temática visava ilustrar as conseqüências e não o conflito em si, pude abordar o lado sócio-cultural do país. Um dos episódios mais chocantes foi a visita ao presídio de Porto Príncipe, em que encontrei crianças, assassinos, presos políticos, juntos e nus.
Voltando à seriedade do assunto, queremos ressaltar como nossa imprensa é vista fora daqui. Temos mais acessibilidade por sermos considerados neutros politicamente, e assim, ficamos isentos de pressão ou censura. Em circunstâncias de trabalho, a simpatia de outros povos por motivos de ídolos esportivos e afins, está a nosso favor, livrando-nos de hostilidades. Diferenciamo-nos da Europa e Estados Unidos, que são donos de maior número e qualidade em coberturas de guerra. Pelo fato de o Brasil não se envolver diretamente nas disputas, estas são tão relevantes ao público brasileiro quanto curiosidades locais.
Indagados sobre as motivações para realizar um trabalho tão arriscado, Luiz Araújo ressaltou que ao contrário do estereótipo romântico esse tipo de missão não tem relação com o espírito aventureiro e turístico. É uma cobertura como qualquer outra.
Iara complementou que experiências desse gênero não estão associadas à liberdade, ao contrário, fica-se a mercê de doenças, seqüestros, acidentes.
Apesar dos pesares apresentados, a palestra foi-nos enriquecedora. Um dia, talvez, passemos pela mesma experiência compartilhada hoje.
Acadêmicos de guerra: Caren Rhoden, Lara Niederauer e Tiago Miotto
(Luiz Antonio Araújo)
Hoje, 14 de outubro de 2008, terça-feira, acompanhamos a palestra, cujo tema foi ‘‘Jornalismo em áreas de conflito’’, na qual os ex-alunos da UFSM e atuais editores políticos Iara Lemos e Luiz Antonio Araújo, dos jornais Diário de Santa Maria e Zero Hora, respectivamente, discorreram sobre suas experiências profissionais acerca do assunto, mediados por Rondon de Castro, veterano de guerra e docente da UFSM.
Abaixo, diálogos fictícios (e um tanto bizarros), para recontarmos o que nos contaram.
Luiz - Olá, sou Luiz Araújo!
Nós - Oi Luuuiz! Fale-nos sobre sua vida.
Luiz - Fui o terceiro presidente do DACOM em 1985. Mas o que eu quero contar para vocês é uma das experiências mais marcantes na minha vida até hoje. Estive no Paquistão em 2001, cobrindo a iminente guerra entre Estados Unidos e Afeganistão. Cheguei no dia 8 de outubro pela manhã e à noite iniciaram-se os ataques. Fiquei o tempo todo no Paquistão pois as fronteiras afegãs estavam bloqueadas. Tive a oportunidade de entrar com contrabandistas no país em conflito por 2500 dólares. Porém, as orientações de prezar pela minha vida para que a matéria fosse feita me levaram a não aceitar a proposta. Embora limitado pelas barreiras militares presenciei muitas coisas que, de outra forma, nunca teria visto, como as vítimas de mísseis.
Iara – Oiii! Senta, que lá vem a história!
Nós – Óóóóóó! Sobre o quê?
Iara – Sobre a minha estadia de 12 dias no Haiti, um país em conflito que o Exército Brasileiro está ocupando. Como não fui a primeira a ir tive que buscar uma pauta alternativa. [Alguém da platéia grita: Toca Raul!]. Então resolvi abordar o trabalho que as religiosas gaúchas realizam no país. Enfrentei várias dificuldades, desde ir até a cidade Jérémie (falta de estradas) até ter água e comida. Embora a língua oficial seja o francês, a população fala o Crioulo, que é a prova da rebeldia pelos anos que foram submetidos à França como colônia. Como a minha temática visava ilustrar as conseqüências e não o conflito em si, pude abordar o lado sócio-cultural do país. Um dos episódios mais chocantes foi a visita ao presídio de Porto Príncipe, em que encontrei crianças, assassinos, presos políticos, juntos e nus.
Voltando à seriedade do assunto, queremos ressaltar como nossa imprensa é vista fora daqui. Temos mais acessibilidade por sermos considerados neutros politicamente, e assim, ficamos isentos de pressão ou censura. Em circunstâncias de trabalho, a simpatia de outros povos por motivos de ídolos esportivos e afins, está a nosso favor, livrando-nos de hostilidades. Diferenciamo-nos da Europa e Estados Unidos, que são donos de maior número e qualidade em coberturas de guerra. Pelo fato de o Brasil não se envolver diretamente nas disputas, estas são tão relevantes ao público brasileiro quanto curiosidades locais.
Indagados sobre as motivações para realizar um trabalho tão arriscado, Luiz Araújo ressaltou que ao contrário do estereótipo romântico esse tipo de missão não tem relação com o espírito aventureiro e turístico. É uma cobertura como qualquer outra.
Iara complementou que experiências desse gênero não estão associadas à liberdade, ao contrário, fica-se a mercê de doenças, seqüestros, acidentes.
Apesar dos pesares apresentados, a palestra foi-nos enriquecedora. Um dia, talvez, passemos pela mesma experiência compartilhada hoje.
Acadêmicos de guerra: Caren Rhoden, Lara Niederauer e Tiago Miotto
Um comentário:
Muito legal! Pegaram o "espírito da coisa". Espero que os demais colegas acompanhem ! abraços, Luti
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